Curvas Fúteis. Pintura e colagem sobre fotografia. 2003.

Retrato

[..] Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Retrato – Cecília Meireles)

As amarras estéticas e a frieza do olhar alheio, que obrigam as mulheres a se submeterem aos mais diversos procedimentos estéticos para atenderem aos padrões impostos pela sociedade, as diminui enquanto personalidades. Suas reais aspirações e desejos são pouco a pouco substituídas por aquelas vendidas nas prateleiras das farmácias. O ideal de beleza vem em cápsulas, é mostrado em revistas, na televisão.

Assim como as folhas que secam e ficam frágeis, quebradiças, o belo também acaba. As folhas, também mascaradas pelo vermelho que insiste em querer invadir a cena e vem dominar a frieza dos procedimentos estéticos, onde muitas mulheres acabam deformadas ou mortas.

Sensualidade, beleza, moda, maquilagem, procedimentos estéticos, dieta, fome, manicure, cabeleireiro, palavras que fazem parte do vocabulário feminino, mostram uma necessidade de adequação aos padrões irreais e muitas vezes impossíveis de serem seguidos por sua volatilidade: em um momento os cabelos devem ser lisos, em outro, cacheados; sobrancelhas finas, depois grossas; super magras, anoréxicas, depois curvilíneas; tudo varia conforme os interesses comerciais das grandes corporações e é imediatamente imposto pela mídia.

Neste trabalho em que se mesclam fotografia e pintura, as mulheres são convidadas a posar e antes conversam sobre suas inseguranças estéticas, algumas se sentem gordas, outras magras demais, uma reclama do formato do nariz, outra de uma cicatriz… estas reclamações inspiram as imagens que visam criticar o modelo fugaz de beleza imposto pela sociedade.

2003

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